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sábado, 28 de junho de 2008

KRIG-HA BANDOLO!



1973 - A capa do primeiro LP solo do Raul seixas me deixa intrigado por bastante tempo,mesmo depois de achar que a tinha decifrada. Foi a única com tantas mensagens cifradas. Eu já sabia que Krig-ha bandolo era o grito de guerra do Tarzan nas revistas em quadrinhos, mas não atentei na época que o disco continha cinco músicas em parceria com um loucaço maior ainda chamado Paulo coelho, aquele que viria a ser o mago, e não sabia que ele (e sua mulher) era o criador do título inusitado. Pior foram os censores. Não sabendo que diabos era Krig-ha bandolo, foram em busca do futuro famoso mago para interroga-lo. Ao tentar explicar que a expressão significava (mais ou menos) cuidado,inimigos! foi logo interrompido com a pergunta: quem é o inimigo? o govêrno? Foi parar no DOI-CODI,a temivel policia da repressão durante o regime militar.
A história da capa do revolucionário LP está no livro "O MAGO", biografia autorizada do Paulo coelho, escrita por Fernando Morais. Um livro arrepiante, com segredos quase inconfessáveis do agora escritor brasileiro mais famoso no mundo. Os fãns de Raul Seixas devem devorá-lo até a última página. Como diz a letra de Paranóia : Com amor e com medo.

sábado, 10 de maio de 2008

GALERIA DOS FILÓSOFOS GENUINAMENTE BRASILEIROS


MAURILO BERIBALAUM
Introdutor do Berimbau na Bahia, (no bom sentido) único lugar onde o instrumento foi bem aceito não se sabe bem porquê. Questionado sobre o fato do berimbau ter apenas uma corda,argumentava que duas ou mais cordas permitiam
variações temáticas infinitas ,o que dificultava o aprendizado
dos adeptos e além disso, com mais uma corda não era um berimbau, mas uma cítara. Curiosamente morreu sem aprender
a tocar as duas notas do trombolho.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

THE BLACK SWAN

O IMPACTO DO ALTAMENTE IMPROVÁVEL

Desde que começou a pensar, o ser humano começou a se preocupar com o futuro.Eu acho.Baseado no que observei durante todo meu passado. Nostradamus não foi o único a querer vislumbrar o que vai acontecer.De vez em quando alguém tenta explicar para a humanidade como vai ser o futuro. Somos seres ainda envolvidos por premonições, logísticas, previsões, estatísticas, mães de santo. Seres em estado atrasado da evolução, eu acho. Quando escapamos de situações extremas, não sabendo porquê, atribuímos tudo á mão da santa providência. Nesta hora o futuro a Deus pertence.
O filósofo e matemático libanês Nassim Nicholas Taleb chama acontecimentos extremos de “cisnes negros”, título de seu último livro, nos EUA. The Black Swan – The Impact of the Highly Improbable (O Cisne Negro – O Impacto do Altamente Improvável). Dono de um MBA em Wharton, uma das escolas de Administração mais respeitadas do mundo, e de um ph.D. na Universidade de Paris, Taleb foi também foi corretor do mercado financeiro. Fez sua carreira lidando com operações arriscadas, (com previsões!). Hoje, se dedica à filosofia e é professor na Universidade de Massachusetts.Em seu livro, Taleb classifica como “cisnes negros” aqueles acontecimentos fora da normalidade e de extremo impacto. São fatos para os quais, atônitas, as pessoas buscam explicações em retrospecto. E maior é o espanto se não encontram uma explicação no passado. Os atentados de 11 de setembro se encaixam nesse perfil.
Eis a tese de Taleb: O acaso tem um peso muito maior na História e em nossa vida do que gostaríamos de reconhecer. Somos surpreendidos por fatos fora da normalidade porque não reconhecemos os limites do conhecimento humano. Para Taleb, mais importante que aquilo que sabemos é o que não sabemos. Como a quantidade de coisas desconhecidas é muito maior que a de conhecidas, deveríamos parar de tentar usar nosso parco conhecimento, baseado no passado, para fazer previsões “enganadoras” sobre o futuro. O título do livro foi criado á partir de uma história exemplar sobre o conhecimento humano. Baseados no conceito da observação, até o século XVIII os cientistas acreditavam só haver cisnes brancos – afinal, nunca haviam visto um espécime de outra cor. Tal verdade durou até a descoberta da Austrália, onde existiam cisnes Negros. Aquilo que os especialistas julgavam ser a realidade dos cisnes era irreal. Apenas uma prova de que usar nosso conhecimento para prever o futuro não passa de perda de tempo, pois o futuro é regido pelo desconhecido, portanto pelo acaso.
Taleb é um defensor do acaso e um crítico feroz da indústria das previsões. Ele diz ter se convencido de que o mundo (os terráqueos, bem entendido) não segue as regras da lógica e é guiado mais por comportamentos estúpidos que pelo equilíbrio e pela igualdade. Na parte pessoal, além da boa vontade, a sorte e o imprevisto teriam um impacto muito maior do que nós, humanos, gostamos de admitir
Taleb é um crítico da ciência tradicional e de seus métodos. Para ele, cientistas, intelectuais e especialistas de todo tipo acreditam saber muito mais do que sabem de fato.(Eu sabia) Para ele, seria melhor esquecê-los. Eles se concentram demais em determinado tema , sem prestar atenção ao que está ao redor. Observar o passado e o presente para definir traços comuns e prever comportamentos futuros – não proporciona nenhuma garantia.Um exemplo prático foi a quebra da empresa gestora de recursos Long Term Capital Management (LTCM), em 1998. A LTCM tinha entre seus gestores os economistas Myron Scholes e Robert Merton, laureados com o Prêmio Nobel um ano antes. Nem isso salvou seus clientes de perder dinheiro, porque eles arriscaram demais baseados em sua esperiencia. Outro ‘cisne negro’ foi o tsunami de 2004. Nenhum sistema de controle teria conseguido prever ou evitar a onda gigante, resultado de um terremoto no fundo do Oceano Índico, que varreu a costa de países da Ásia e da África e matou milhares de pessoas. Em casos como esse, os especialistas começam a construir as explicações em retrospecto e, sem exemplos para se basearem devido ao pouco conhecimento, tentam forçar associações entre fatos, chegam ás opiniões pessoais e não admitem sua incapacidade ou insistência em fazer previsões.

Mas Taleb é também humano. Falando sobre mercado financeiro, sua argumentação é boa. Quando trata do engano de confiar demais no conhecimento, também se sai bem. Erra ao superestimar seu próprio conhecimento, deixando de lado o que o cerca. A esperança no futuro, além de uma característica humana, é uma condição para nossa evolução. Sempre esperamos o melhor no futuro, com ou sem imprevistos.

Fonte: Revista época