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domingo, 22 de julho de 2018

SERGUEI É O PAI DO ROCK (BRASILEIRO)


No ano longiquo ano de 1966, remexendo nos discos  na casa de uma tia, peguei um compacto simples largado no fundo do armário e coloquei uma vez para ouvir o que dizia aquele disquinho e fiquei ouvindo por várias horas até que todo mundo começou a ficar preocupado com a audição um tanto prolongada, o que me rendeu no final o direito de levar comigo aquele vinilzinho que ninguém gostava. O disco, do Serguei, era um tipo de música que eu nunca tinha ouvido antes e só mais tarde aconteceu a mesma coisa quando ouví o primeiro disco do Raul Seixas. As letras, dos dois lados,
(As alucinações de Serguei/ Eu não volto mais) eram de uma temática  completamente maluca, e era o tipo de música que me interessava, mesmo ainda criança e no meio daquele tempo em que reinava a bossa-novística MPB e o yê-yê-yê da Jovem Guarda. Acima o video em que mesclei o tributo de Iggy e os traidores  com a música original de 1966/67. Pode levar.

terça-feira, 10 de julho de 2018

ALBUNS OF MY LIFE - ERASMO CARLOS - 1990 PROJETO SALVATERRA

Projeto Salva Terra, o nono álbum de Erasmo Carlos, lançado em 1974, sempre foi prá mim o melhor do Tremendão. Cheio de poesia e criatividade o disco avançava no tempo para antever o que aconteceria 15 anos depois, um tempo relativamente curto para o tempo acelerado que vivemos hoje, mas ninguém sabia disso, nem Erasmo. A MPB é predominante em canções como o samba "Cachaça Mecânica" (que fez grande sucesso), "A festa do corpo lindo", "A Experiência" e a melancólica "Por Cima dos Aviões". Apesar da MPB obrigatória na época,, esse disco torna se um marco no Rock  brasileiro com a ajuda de uma banda escolhida a dedo por Erasmo. Passeando por vários ritmos 1990 traz uma versão mais pesada para "Negro Gato" um rockabilly instrumental:"Bolas Azuis", um country rock "A Lenda de Bob Nelson"  um rock mais pesado "Haroldo, o robot doméstico" uma embolada "Deitar e rolar" e a festa está feita. Destaque para a super faixa rock que abre o disco: "Sou Uma Criança e Não Entendo Nada". Bom demais. 


segunda-feira, 5 de março de 2018

SÍRIA - RECLAMAR É INÚTIL



No início de 2018 , com os ataques do governo de Al-Assad aos rebeldes na cidade de Gouta, parece que alguns brasileiros descobriram que havia uma guerra sangrenta na Síria e chocados com as noticias da morte de crianças começaram a rogar por ajuda e providências das potências do mundo para estancar o novo holocausto. Compreensível a preocupação em defesa da paz de cidadãos que acabaram de pular carnaval por um mês inteiro embora sob o perigo de balas perdidas num país nada pacífico,mas devo avisar que a guerra na Síria  começou em 2011, e é importante procurar ler sobre o que aconteceu nestes ultimos anos antes de começar a rezar pela Síria. Após demonstrações pró-democracia, inspiradas pela Primavera Árabe, que começaram na cidade de Deraa, no sul do país. Mas o uso de força por parte do governo fez com que os protestos tomassem proporções nacionais. A violência logo aumentou e a Guerra Civil teve início, após centenas de brigadas rebeldes serem criadas para lutar contra as forças do governo.Um fator chave é a intervenção de potências regionais e globais no conflito, incluindo Irã, Rússia, Arábia Saudita e os Estados Unidos. O suporte financeiro, militar e político para governo por uns e para a oposição por outros têm contribuído diretamente com a intensificação e continuação do conflito, que transformou a Síria em um verdadeiro campo de batalha.Forças externas também são acusadas de favorecer o sectarismo em um Estado secular, colocando a maioria Sunita da população contra a minoria Alauita, um grupo étnico-religioso que segue o Xiismo, e do qual a família de al-Assad faz parte. Tais divisões encorajaram os dois lados a cometerem atrocidades que não causaram apenas a perda de vidas, mas também acabou com comunidades e diminuíram às chances de um acordo político.Para piorar tudo, grupos jihadistas também tomaram parte nessas divisões, o que deu maiores dimensões para a guerra. Por exemplo, a Hayat Tahrir al-Sham, uma aliança formada por membros da Frente Al-Nusra (um ex-braço do grupo terrorista al-Qaeda), controla grandes partes do província de Idlib, no noroeste da Síria.Enquanto isso, o famoso grupo terrorista Estado Islâmico controlou boa parte do norte e leste da Síria, com a distinção de serem inimigos de todos os grupos envolvidos no conflito: eles lutam contra as forças do governo, grupos rebeldes e milícias curdas, além de sofrer ataques aéreos de Estados Unidos e Rússia.Se já não bastasse tudo isso, milhares de milicianos alauitas oriundos do Irã, Líbano, Iraque, Afeganistão e Iêmen dizem que estão lutando ao lado do exército sírio, com a desculpa de que querem proteger locais sagrados do grupo.Apesar de não apoiarem o ditador, cristãos, xiitas e até parte da elite sunita preferem ver Assad no poder diante da possibilidade de ter um país tomado pelos extremistas.
Diante da impossibilidade de apoiar o mau contra o pior, nem a ONU, a UE ou o Papa podem dar palpite sobre a guerra, a não ser rezar. Quanto às alianças externas, Assad conta com o apoio da Rússia,China  e do Irã  que através do grupo libanês Hezbollah, forma um “eixo xiita” que segue essa interpretação da religião islâmica.  acredita-se que o Irã está gastando bilhões de dólares por ano para impulsionar o governo sírio, providenciando conselheiros militares e armas, bem como linhas de crédito de transferência de combustíveis. Também já é de conhecimento geral que os iranianos posicionaram centenas de tropas na Síria.O grupo se opõe a Israel e disputa a hegemonia no Oriente Médio com as monarquias sunitas, lideradas pela Arábia Saudita. O principal aliado de fora é a Rússia, que mantém uma antiga parceria com a Síria. Tanto o apoio do Hezbollah e das milícias iranianas, quanto os bombardeios mais recentes realizados pelas forças russas têm sido fundamentais para a sobrevivência do regime de Assad e o seu recente fortalecimento no conflito. Os Estados Unidos, que dizem que al-Assad é responsável por diversos tipos de atrocidades, providenciaram apenas uma assistência militar limitada para grupos rebeldes “moderados”, por terem medo de suas armas acabarem parando nas mãos de jihadistas e o surgimento de grupos radicais como o Estado Islâmico, mas também já fizeram um ataque contra o governo sírio  por conta de um  ataque químico contra civís. 
A oposição não é flor que se cheire, é formada por um punhado de grupos rebeldes. Uma das primeiras forças internas que se rebelou contra o governo sírio foram os grupos sunitas, que se opunham a Assad, que é xiita. Os sunitas têm dezenas de ramificações e ideologias, mas unem-se com o princípio básico de derrubar Assad. São chamados de “rebeldes moderados”, por não serem adeptos do radicalismo islâmico. A maior expressão entre eles é o Exército Livre da Síria (ELS). A organização está envolvida com países da Europa e com os Estados Unidos com o objetivo de derrubar o governo de Assad. Três grandes potências no Oriente Médio também colaboram com os rebeldes: Turquia, Arábia Saudita e Catar, relevando os interesses dos países próximos à Síria, também.  A Arábia Saudita, que é governada por sunitas e deseja contra atacar a influência do Irã no Oriente Médio, também está providenciando assistência militar e financeira para as forças rebeldes.Some-se a isto,os extremistas Islâmicos, os grupos que querem derrubar Assad,  que estão fragmentadas em diversos grupos. Uma das organizações que mais conquistaram terreno, principalmente nos primeiros anos do conflito, foi a Frente Al-Nusra, um braço da rede extremista Al Qaeda na Síria. Posteriormente, a partir de 2013, o EI aproveitou-se da situação de caos criada pela guerra civil e, vindo do Iraque, avançou de forma avassaladora e brutal, ocupando metade do território sírio. Em 2014, o E.I.  dominou algumas áreas na Síria e no Iraque, as quais chamou de califados – o termo se refere aos antigos impérios islâmicos depois de Maomé, que seguiam rigorosamente as leis islâmicas. Correndo por fora ,mas dentro da guerra estão os Curdos, uma etnia apátrida, que habitam diversos países,inclusive na Síria, que reinvidicam a criação de uma nação para seu povo. Para o regime de Assad, tornaram-se bastante úteis, porque a milícia se opõe tanto aos rebeldes moderados como aos extremistas do Estado Islâmico.
Diante deste coquetel politico-religioso explosivo, é mais fácil compreender que a questão da Siria não é para fracos desvendarem. A guerra na Síria não tem solução á vista. Qualquer lado que vença vai desenrolar uma nova guerra em pouco tempo. Não adianta reclamar do que acontece na Síria.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Make Wakanda Great Again


Nestes tempos de conflitos entre civilizações o pessoal de Hollywood resolveu politizar o cinema assim como toda obra artistica para tentar mostrar que existe igualdade entre os humanos, coisa aliás naturalmente inexistente. Aproveitando que o filme do Pantera Negra foi conduzido e estrelado por diretores e atores negros grupos coletivos negros cairam na armadilha de tentar impor um modelo segregacionista ao filme até para impedir que brancos pudessem chegar as salas de cinema. O longa da Marvel serviu até para alguns protestarem contra o Presidente Trump e sua politica "Make the America Great Again'. Depois da estréia porém, quem se preocupou com a politicagem feita com a obra de ficção, notou que Pantera Negra, o líder da comunidade é praticamente um Trump Negro.
Wakanda além de isolacionista ,é racista, xenófoba e talvez homofóbica. Em Wakanda, que tem uma população homogênea negra, defende-se o nacionalismo e não há troca de tecnologias e mercadorias com outras comunidades. Não há preocupação ou grupos ambientais impedindo a exploração dos seus recursos naturais. T' challa é um ditador, convenhamos, e cercou seu país com muros. Parece um clone politico do presidente americano. Tá na hora desta turma de Hollywood decidir se Trump é herói ou vilâo. 

Depeche Mode - Strange Love (Remix)

domingo, 14 de janeiro de 2018

Dire Straits - Wild West End (Live)


"Wild West End" do primeiro álbum do DIRE STRAITS é uma música sem muita consistência na letra mas perfeita para deixar sobressair a guitarra de Knoffler. O álbum de 1978 era tão bom que eu comprei dois.

sábado, 25 de novembro de 2017

O QUE A BAIANA (E A DINAMARCA) TEM.

Uma reportagem sobre o reino da Dinamarca na TV fez os olhos de alguns brasileiros brilharem extasiados como se tivessem descoberto o paraíso na terra. Certamente os incautos imediatamente fizeram um paralelo com nosso continente tropical e as redes sociais apontaram o país nórdico como o modelo a ser seguido, pela nossa turba. Infelizmente, em pouco tempo de pesquisa, chegamos a conclusão de que o Brasil nunca poderia , nem poderá ser um país igual ou parecido com a Dinamarca, e não é por que "o país mais feliz do mundo" tem costumes estranhos aos nossos como o de lavar a louça e não tirar o sabão, apenas secar com um pano de prato. ou de terem banheiros, digamos minúsculos, e geralmente o chuveiro fica acima da privada, e em alguns, o mais estranho, é que o banheiro fica no meio da cozinha. A coisa pode ficar pior se o assunto for relações sociais. As relações sociais e interpessoais na Dinamarca são diferentes das que conhecemos no Brasil. Não espere   espontaneidade, e todos os compromissos – incluindo visitar amigos e familiares – são agendados com antecedência. Aparecer de surpresa na casa de alguém é um erro fatal, esta parte eu gosto.Mas a raiz de nossas diferenças é que os dinamarqueses são descendentes dos vikings.Isto já é uma grande diferença.    Também é uma loucura querer que os brasileiros se tornem iguais ou se adaptem à Dinamarca quando se sabe que a população do reino, 90% de etnia dinamarquesa,não chega a 6 milhóes de pessoas numa área total de 43 094km².. Bem menor do que a população de um dos menores estados brasileiros, o RJ, que tem 16 milhões de várias etnias numa area de 43.696 km².

Dificil imaginar que o país banhado pelo oceano atlantico desde o cabo Orange até o Chuí, numa extensão de 7 367 km, que aumenta para 9 200 km se forem levadas em consideração as saliências e as reentrâncias, seja administrado igualmente ao reino dinamarquês, que tem uma Rainha (A Rainha Margarida II da Dinamarca) que é efetivamente o chefe de estado, e sua função é essencialmente de representação máxima do Estado e do povo. Um papel cerimonial que representa a tradição e cultura enraizada do respectivo povo. O poder executivo é exercido pelos ministros, sendo o primeiro-ministro um primeiro entre iguais (primus inter pares). Portanto nada mais diferente do que a politica destas bandas. Ao contrário dos brasileiros, os de lá não gostam muito de aparecer e não são receptivos com estrangeiros, leia-se xenófobos. Talvez o dinamarquês mais conhecido seja Hans Christian Andersen, famoso principalmente devido aos seus contos de fadas, As Roupas Novas do Imperador e O Patinho Feio. Outra diferença importante é que 78,4% da população é composta por membros da Igreja Luterana, enquanto no Brasil existe uma religião prá cada um (exageros à parte). Embora, como seus vizinhos escandinavos, seja historicamente  uma das culturas mais socialmente progressistas do mundo, há que se observar seus costumes totalmente diversos do povo aqui de baixo, pode-se acusar de má fé quem fala prá galera non-viking que o Brasil poderia ser igual.Algumas diferenças comemoradas pela patrulha do politicamente correto,como a ausencia de machismo, não leva em conta que o país foi o primeiro a legalizar a pornografia em 1969, o que não é legal no resto do mundo. Oficialmente. E para quem acha que vai para o paraíso, é bom lembrar que nosso Sol e calor são artigos de luxo por aquelas bandas. A adaptação pode ser bem difícil por conta do clima. Nos meses de inverno, entre outubro e fevereiro, os dias ficam mais curtos e a luz do sol é comemorada com entusiasmo, quando aparece.Muita gente acaba tendo a chamada ‘depressão de inverno’ por conta dos dias escuros e cinzas e noites longas e frias. Mesmo no verão o calor nunca será tropical. Nada é perfeito. Uma curiosidade é que    na Dinamarca você não pode botar o nome que quiser nos seus filhos, o estado lhe propicia escolher entre os 7.000 nomes pre-estabelecidos, viu Olaf? 
Além de tudo, existem diferenças incontornáveis entre os dois povos: a modéstia, a pontualidade, e acima de tudo, a igualdade, são aspectos importantes da maneira de viver dos dinamarqueses. Alguma semelhança?
Com uma estrutura política totalmente diversa em relação ao Brasil,é fácil compreender por que os políticos dinamarqueses recebem cerca de  R$ 6 mil para legislarem em horário parcial, complementados com atividades na direção de uma orquestra, e num espaço geográfico inversamente proporcional ao tamanho do Brasil, Vivem em zonas de classe média e não possuem carro, indo a pé ao trabalho. Outro dado importante em relação ao Brasil é a polícia, que  goza de alto nível de confiança. Ser um policial geralmente é considerado uma posição relativamente de status. Isto faz jovens considerarem a carreira", recebem um "bom salário de classe média, especialmente se for levado em conta a generosa aposentadoria".
O código criminal da Dinamarca proíbe propina ativa ou passiva, abuso de poder público, peculato, fraude, lavagem de dinheiro e suborno. A tolerância à ilegalidade na Dinamarca é baixíssima não só com relação às instituições, mas até com indivíduos do convívio que infringem normas das mais simples 
A marca fatal que separa as duas sociedades é a marca social.  Os dinamarqueses historicamente passaram a confiar nos indivíduos e, além disso, em suas instituições, o que torna possivel pegar um livro em bibliotecas sem intermédio de funcionários ou deixar o bebê num carrinho enquanto entra numa loja. 
Portanto, não há como comparar Brasil e Dinamarca e nem achar que ela é um país perfeito para todos, a Dinamarca é um país feliz para os dinamarqueses. 
A confiança social que também ajuda a prevenir a corrupção, é a chave que distancia nossos povos. Quanto maior a corrupção menor a confiança da população. Por isto numa pesquisa em 86 países ao perguntarem se as pessoas confiavam uma nas outras, na Dinamarca mais 70% disseram sim, No Brasil, apenas 9%. Fim.